segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Fim


Na ficção eu sou fã de Happy Endings. Gosto de finais felizes porque fogem totalmente da realidade. Confesso que os finais tristes me deixam revoltada.

Talvez, porque eu saiba o quanto um final é triste na realidade. 

Ninguém consegue imaginar quando o fim está rasgando meu peito. Fim causa dor. Apaixonar-se é uma dor. Dói a não concretização do amor. Dói a expectativa de ver correspondido um amor. Mas o fim do amor sempre dói muito mais. O fim corrói tudo por dentro e faz os pés perderem o chão.

Fim do relacionamento, de uma amizade, de um sonho, uma música, uma conversa, do filme, do chocolate, da festa, fim de qualquer coisa.

E se eu for embora antes do final? Talvez o fim não chegue e então não exista. Eu sempre tenho vontade de ir embora antes do fim e ninguém nunca me entende por isso. Não entendem  o meu pavor pelo fim.

Prefiro o meio que é a melhor parte. O meio não tem as dificuldades do começo e nem as tristezas do fim.

De repente, um desespero não sei de que. Só sei que está aqui. Necessidade de não sei o que. Só sei é que acaba.

Mesmo que eu coloque no repeat mil vezes minha música preferida ou fique até o último segundo de qualquer festa. Coma centenas de chocolates. O fim cisma em aparecer. 

O fim é traiçoeiro. Adora aparecer em momentos inusitados. Quando estou lavando louça, de pijama me preparando para dormir, com os cabelos desarrumados. Lambendo os beiços. O fim surge sem pedir permissão para acabar com seja lá o que for.

Nunca compreendo totalmente um fim. Ainda que eu saiba que ele é necessário e decida por mim mesma que é hora de colocar um ponto final. Se acaba é porque vai me roubar alguma coisa. Por isso resisto tanto a sua ação cruel. Choro, brigo tento prolongar ao máximo apenas para que não acabe, para que continue a existir e não haja um coração partido para a tristeza se alojar. 

Tem fim do ruim? Para minha alegria sim. Ufa, o ruim também tem fim. Mas o que eu não quero é que o bom tenha fim! O bom tem que durar. Eu sei que o mundo inteiro "para" se o bom não acaba.

Eu posso abraçar forte enquanto vejo o mundo girar. Posso beijar devagar, dançar até o fim da festa e saborear meu chocolate sossegadamente. Ainda resta o momento, o pedaço a paixão. Porque é tudo infinito enquanto não tem fim.





Um comentário:

Eriton Silva disse...

O único fim que eu gosto, é o fim de semana! Hehehe!