domingo, 17 de abril de 2011

Little Fighter



Eu estava na quarta série e era época de festa junina na escola, a professora formava os parzinhos por ordem alfabética, sistemática criada para ser imparcial e para não dar oportunidades de escolha aos alunos, porém muitas vezes  esses sistema falhava pois  dependia de certos fatores externos, como exemplo:

 Fator Primário: Quantidade de  alunos na lista x Quantidade de alunos presentes na classe.

 Fator Agravante: Alunos que não querem dançar ou sentem vergonha de assumirem isso.

 Fator Determinante: As meninas sempre são maioria nas salas de aula e no mundo inteiro.

Resultado... Na hora em que chegou na letra J, não tinha mais nenhum cabra macho para me fazer parceria, decepcionada e com a idéia fixa de um mundo que conspirava contra minha pequena pessoinha, fui para casa derrotada. No dia seguinte, para minha surpresa Carlinhos aluno que havia faltado no dia anterior, interrogado pela professora se gostaria de participar da quadrilha disse sim, e então formamos uma dupla caipira.

Por alguns dias, meus sonhos de protagonizar uma caipirinha dançante da roça manteve-se intacto, mas logo fora dilacerado pelo pirralho sacana que após ouvir Clarice (a única menina da sala que já usava sutiã) afirmar, que dançariam juntos se não fosse... Eu... Euzinha! Ficou  indignado e me humilhou na frente toda a classe dizendo que não queria dançar comigo.

Pirralho de uma figa!!!

Conclusões Iniciais: Ninguém queria dançar com a menininha nerd magrela. 
                   
                     Eu fui ridicularizada!

A professora com pena por meu companheiro ter desistido em cima da hora, me convenceu a ir assistir o evento e acaso faltasse alguém eu poderia ser a substituta. No dia... Lá estava eu de Maria Chiquinhas e pintinhas no rosto uma legitima representante da roça em pé e humilhada (a vontade de me produzir era maior que minha dignidade) vendo todos os coleguinhas dançarem, torcia desesperadamente para me tornar uma das protagonistas do Arraiá e abandonar o papel de mera expectadora.

De repente meus olhos brilharam ao ver Dú... Um garotinho lindo da mesma série, mas de outra classe vindo em minha direção, se aproximou de mim sorridente e tirou-me para darmos vazão ao ritmo junino enquanto a Tia narrava em voz alta:

“Olha a cobra!! É mentira!!”

Mas deveria ser: 

"C'mon you little fighter
 No need to get uptighter
 C'mon you little fighter
 And get back up again
 Oh, get back up again
 Oh, feel your heart again... "¹

Acabamos nos tornando coleguinhas, íamos para escola juntos e comecei a nutrir por ele uma paixonite.

Infelizmente, tempos depois descobri que Dú havia se mudado e nunca mais o vi, mas dos meus amores platônicos de infância este é que me recordo com mais carinho.

Conclusões finais: Quem acredita sempre alcança.
                             
                              Nunca subestime a força de vontade de uma garotinha.
                            
                             Se uma guria do primário se encantar com um garoto e ele for legal com ela... ou ele é imaginário, ou vai mudar-se de cidade.



¹Trecho da música It's Raining Again da banda inglesa Supertramp. 

Um comentário:

Juh disse...

Simplesmente Adorei...